Tomás montou três estágios. Primeiro selecionou +z. Depois mediu x e selecionou apenas +x. Por fim, perguntou z outra vez. Lia esperava que a certeza inicial sobrevivesse escondida sob a etapa intermediária. O último aparelho, porém, voltou a dividir o feixe igualmente entre +z e −z.
A sequência podia ser lida sem paradoxo. |+z⟩ fornece +x ou −x com chances iguais. Condicionar à saída +x prepara |+x⟩. Esse estado, por sua vez, contém amplitudes iguais para +z e −z. A medição intermediária não desenterrou um valor de x; criou uma nova condição para a etapa seguinte.
Sem o analisador x, uma segunda medição z retornaria +z com certeza. Inserir e selecionar x alterava as estatísticas posteriores. A diferença tornava operacional a incompatibilidade: não era apenas uma declaração sobre nossa ignorância, mas uma mudança verificável nas contagens.
Lia perguntou o que ocorreria se as duas saídas x fossem reunidas. Bloquear uma delas é diferente de recombinar coerentemente os dois pacotes com fases controladas. Um interferômetro ideal pode desfazer a separação unitária e recuperar o estado inicial; somar registros depois de detectá-los não restaura as amplitudes perdidas.
Se ambas as saídas x fossem medidas e os resultados ignorados, o conjunto se tornaria uma mistura na base x e perderia a coerência necessária para retornar deterministicamente a +z. ‘Não olhar o resultado’ não equivale a impedir que um registro físico distinguível tenha sido criado.
Tomás contou as perdas dos filtros. De um feixe não polarizado, selecionar +z retinha cerca de metade; selecionar depois +x, metade do restante; a medição final dividia novamente. Probabilidades condicionais explicavam intensidades sem imaginar átomos hesitando conscientemente diante dos ímãs.
A saída −z final acendeu. Lia reconheceu nela uma certeza desfeita por uma pergunta incompatível. O aparelho não alterara o passado do primeiro registro; modificara o estado preparado para o futuro. A ordem dos analisadores era parte irremovível do experimento.