Sumário
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Salvando leitura…
Um estado definido em z tornou-se duas amplitudes em outra base

A pergunta no eixo x

Spin e o feixe que escolheu apenas duas direções

Lia girou o segundo analisador noventa graus. O feixe preparado em |+z⟩ entrou agora num aparelho que perguntava por Sx. Duas saídas reapareceram com probabilidades iguais. Ter certeza sobre z não fornecia uma componente x oculta que o ímã apenas revelaria.

Na base de x, o mesmo estado é uma superposição: |+z⟩=(|+x⟩+|−x⟩)/√2, com uma convenção adequada de fases. A regra de Born transforma os dois coeficientes em probabilidades 1/2. Girar o aparelho muda a base em que as amplitudes são lidas.

Tomás escreveu as matrizes de Pauli. Sz é proporcional a σz; Sx, a σx. Elas não comutam: [Sx,Sz]=−iħSy. Por isso não existe uma base de autoestados comuns que atribua simultaneamente valores definidos às duas componentes.

A incerteza do capítulo anterior reapareceu sem uma nuvem contínua. No estado |+z⟩, ΔSz=0 e ΔSx=ħ/2. Os resultados de x eram individualmente discretos, mas o conjunto tinha dispersão máxima entre os dois valores possíveis.

Se o analisador fosse inclinado por um ângulo θ em relação a z, a probabilidade da saída positiva seria cos²(θ/2), não a projeção clássica cosθ usada como resultado contínuo de uma seta. A metade do ângulo era uma assinatura da geometria dos estados de spin um meio.

Lia girou lentamente o ímã. As frequências mudaram de modo contínuo, embora cada detecção continuasse pertencendo a apenas uma das duas saídas. Probabilidades contínuas e resultados discretos coexistiam: o ângulo controlava os pesos, não criava valores intermediários de spin.

A bússola clássica teria carregado componentes em todos os eixos ao mesmo tempo. O spin carregava um estado capaz de fornecer estatísticas para qualquer eixo escolhido, mas uma preparação definida em uma base virava superposição em outra. A escolha do aparelho definia a pergunta, não uma direção absoluta recém-descoberta.

Fontes desta página

  1. Wolfgang Pauli (1927). Zur Quantenmechanik des magnetischen Elektrons.Zeitschrift für Physik, 43, 601–623. Formula a mecânica do elétron magnético com duas amplitudes e projeções intrínsecas +ħ/2 e −ħ/2 numa direção escolhida.
  2. Howard Percy Robertson (1929). The Uncertainty Principle.Physical Review, 34, 163–164. Generaliza a relação de incerteza para pares de observáveis por meio de seus comutadores e desvios padrão.
  3. George Eugene Uhlenbeck e Samuel Goudsmit (1925). Ersetzung der Hypothese vom unmechanischen Zwang durch eine Forderung bezüglich des inneren Verhaltens jedes einzelnen Elektrons.Die Naturwissenschaften, 13, 953–954. Comunicação que propõe um grau de liberdade interno do elétron associado a momento angular e momento magnético.