Lia recebeu um qubit no estado desconhecido |ψ⟩=α|0⟩+β|1⟩. Desconhecido significava que o protocolo deveria funcionar para quaisquer amplitudes, não que a natureza escondesse dela uma etiqueta clássica com α e β impressos.
Ela poderia medir em z e enviar o bit obtido, mas destruiria fase e preservaria apenas um resultado. Fazer tomografia exigiria muitos exemplares igualmente preparados. Com um único qubit, não havia dados clássicos suficientes para reconstruir um ponto arbitrário da esfera.
O Arquivo ofereceu uma caixa de correio chamada teleportação. O nome sugeria transportar matéria sem percurso, porém o protocolo transferia um estado quântico para outro sistema. O suporte original permanecia com Lia e seria medido; nenhum átomo, fóton ou pessoa desapareceria de uma cabine.
Tomás listou os recursos: um par emaranhado previamente compartilhado, uma medição conjunta no laboratório de envio, dois bits clássicos e uma correção local no destino. Retirar qualquer peça impedia a transferência perfeita e determinística do qubit arbitrário.
O emaranhamento podia ter sido distribuído antes, por partículas que viajaram em canais físicos. Essa distribuição exigia tempo, energia e uma rede. O protocolo começava depois que a correlação já estava instalada, como uma chave compartilhada que não continha sozinha a futura mensagem.
A analogia da carta falhava porque α e β nunca eram lidos e copiados para o envelope. O resultado da medida conjunta era apenas um de quatro rótulos, dois bits sem informação suficiente para descrever o estado contínuo isoladamente.
Lia colocou o qubit ao lado de sua metade do par. Para fazer o recado chegar sem conhecê-lo, ela precisaria destruir a versão local e espalhar sua informação entre correlação emaranhada e mensagem clássica.