Antes de teleportar, Lia tentou uma solução mais simples: copiar |ψ⟩, conservar o original e enviar a duplicata. Wootters e Zurek mostraram em 1982 que nenhuma transformação quântica linear pode clonar perfeitamente todo estado desconhecido.
Uma suposta máquina U deveria levar |0⟩|vazio⟩ a |0⟩|0⟩ e |1⟩|vazio⟩ a |1⟩|1⟩. Pela linearidade, aplicada a α|0⟩+β|1⟩ produziria α|00⟩+β|11⟩, um estado emaranhado.
A cópia desejada seria (α|0⟩+β|1⟩)⊗(α|0⟩+β|1⟩), com termos α²|00⟩, αβ|01⟩, αβ|10⟩ e β²|11⟩. Em geral, não era o mesmo estado. A máquina que copia a base falhava nas superposições.
Tomás usou produtos internos para tornar o alcance geral. Transformações unitárias preservam sobreposição. Clonar dois estados faria sua sobreposição virar o quadrado dela; igualdade só ocorre para estados idênticos ou ortogonais. Conjuntos ortogonais podem ser copiados como informação clássica, estados arbitrários não.
O teorema não proibia preparar muitos qubits quando a receita clássica é conhecida. Um laboratório que conhece θ e φ pode repetir pulsos. Também existem clonadores aproximados e cópia de observáveis restritos. O impossível é uma copiadora universal, perfeita e independente do estado de entrada.
Sem clonagem, teleportação não poderia deixar duas versões perfeitas. A medição de Bell consumiria o estado original. Essa destruição não era defeito do protocolo; era a condição que o mantinha compatível com a linearidade e com a impossibilidade de sinalização.
A copiadora apagou seu botão universal. Lia seguiria sem duplicata de segurança. O estado só apareceria intacto no destino depois que a versão de origem já não existisse como qubit independente.