Sumário
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Salvando leitura…
A desigualdade CHSH cabia numa linha de aritmética

Quatro produtos e uma fronteira

Uma desigualdade separa filosofias de experimentos

Para um valor fixo de λ, o Arquivo formou Cλ=A(a)B(b)+A(a)B(b′)+A(a′)B(b)−A(a′)B(b′). Cada símbolo valia +1 ou −1. Não era preciso conhecer as instruções; bastava explorar essa aritmética binária.

Fatorando, Cλ=A(a)[B(b)+B(b′)]+A(a′)[B(b)−B(b′)]. Se B(b) e B(b′) fossem iguais, o primeiro colchete seria ±2 e o segundo zero. Se fossem opostos, aconteceria o contrário. Em qualquer caso, Cλ só poderia ser +2 ou −2.

Muitas execuções continham diferentes λ. Tirar a média não aumentava o módulo máximo: S=E(a,b)+E(a,b′)+E(a′,b)−E(a′,b′) obedecia |S|≤2. A fronteira surgia antes de qualquer escolha da distribuição de instruções.

Lia percebeu a sutileza contrafactual. Em uma execução real, cada lado usa apenas uma configuração; não observamos A(a) e A(a′) simultaneamente. O modelo local, porém, fornece probabilidades ou respostas para cada escolha possível. A desigualdade combina médias de quatro subexperimentos para testar se uma única estrutura local pode explicar todos.

CHSH tornou a ideia praticável sem exigir correlações perfeitas. Ruído e imperfeições reduzem os valores medidos, mas a comparação continua numérica. É necessário estimar cada E a partir de coincidências +/+, +/−, −/+ e −/−, com incertezas estatísticas e controle de viés.

O número dois não era um teto para toda correlação imaginável. Era o teto daquela combinação sob a classe de modelos definida. Mudar resultados possíveis, independência das escolhas, seleção de amostras ou estrutura causal exige derivar outra desigualdade e descrever as novas premissas.

A linha |S|≤2 atravessou a sala. De um lado estavam todas as tabelas locais de instruções, inclusive misturas probabilísticas. Do outro havia uma região que a mecânica quântica dizia alcançar. O sino já tinha uma borda; faltava calcular o som.

Fontes desta página

  1. John F. Clauser, Michael A. Horne, Abner Shimony e Richard A. Holt (1969). Proposed Experiment to Test Local Hidden-Variable Theories.Physical Review Letters, 23, 880–884. Generaliza o teorema de Bell para uma desigualdade aplicável a experimentos ópticos realizáveis e propõe um teste entre mecânica quântica e teorias locais de variáveis ocultas.
  2. John S. Bell (1964). On the Einstein Podolsky Rosen Paradox.Physics Physique Fizika, 1, 195–200. Formula matematicamente a condição de localidade para completações do argumento EPR e demonstra sua incompatibilidade com certas correlações previstas pela mecânica quântica.
  3. John S. Bell (1966). On the Problem of Hidden Variables in Quantum Mechanics.Reviews of Modern Physics, 38, 447–452. Reexamina demonstrações gerais contra variáveis ocultas, identifica hipóteses injustificadas e destaca a independência de sistemas distantes como condição física relevante.