Sumário
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Salvando leitura…
Uma variável comum tentava completar a descrição de cada par

As instruções dentro das caixas

Uma desigualdade separa filosofias de experimentos

Uma fonte enviava dois sistemas em direções opostas. Em cada execução, ela também podia carregar uma variável λ, desconhecida pelos laboratórios. λ não precisava ser um único número: podia representar uma lista extensa de propriedades, memórias comuns ou dados microscópicos omitidos pela função de onda.

À esquerda, Lia escolheria entre configurações a e a′; à direita, Tomás entre b e b′. Cada aparelho devolveria +1 ou −1. Num modelo determinista local, os resultados podiam ser escritos A(a,λ) e B(b,λ). A resposta de Lia não receberia b, e a de Tomás não receberia a.

A variável comum explicava por que resultados distantes podiam se correlacionar sem trocar sinais durante a medição. Duas caixas preparadas pela mesma fonte podiam carregar instruções coordenadas. Repetir o experimento amostrava diferentes λ segundo uma distribuição ρ(λ), e as médias surgiam dessa população.

Lia perguntou se determinismo era indispensável. Modelos estocásticos localmente causais também podiam atribuir probabilidades P(A|a,λ) e P(B|b,λ). Quando λ reunia toda a informação relevante do passado comum e as probabilidades fatoravam, limites de Bell continuavam válidos. Aleatoriedade local não abria automaticamente uma saída.

A imagem de cartões de instruções ajudava a calcular, mas tinha limite. λ podia ser contínuo, contextual e muito mais rico que quatro respostas impressas. A desigualdade não dependia de simplicidade psicológica nem de máquinas clássicas comuns; dependia da estrutura local das probabilidades e das escolhas disponíveis.

Tomás também separou variável oculta de valor observável preexistente para toda circunstância. Certas derivações usam respostas determinadas e contrafactuais para cada configuração; outras partem diretamente da fatoração probabilística. Ambas alcançam restrições equivalentes sob condições apropriadas, mas a linguagem de ‘realismo’ sozinha pode esconder quais premissas foram usadas.

As caixas receberam seus λ e partiram. O Arquivo não decidiu se as instruções existiam. Apenas perguntou: se qualquer explicação desse tipo fosse local e as configurações fossem escolhidas independentemente do conteúdo da fonte, que correlações ela conseguiria produzir?

Fontes desta página

  1. John S. Bell (1964). On the Einstein Podolsky Rosen Paradox.Physics Physique Fizika, 1, 195–200. Formula matematicamente a condição de localidade para completações do argumento EPR e demonstra sua incompatibilidade com certas correlações previstas pela mecânica quântica.
  2. John S. Bell (1966). On the Problem of Hidden Variables in Quantum Mechanics.Reviews of Modern Physics, 38, 447–452. Reexamina demonstrações gerais contra variáveis ocultas, identifica hipóteses injustificadas e destaca a independência de sistemas distantes como condição física relevante.
  3. John F. Clauser, Michael A. Horne, Abner Shimony e Richard A. Holt (1969). Proposed Experiment to Test Local Hidden-Variable Theories.Physical Review Letters, 23, 880–884. Generaliza o teorema de Bell para uma desigualdade aplicável a experimentos ópticos realizáveis e propõe um teste entre mecânica quântica e teorias locais de variáveis ocultas.