A porta seguinte não se abriu para uma catedral. Atrás dela havia um artigo de seis páginas publicado em 1964 numa revista de vida breve chamada Physics Physique Fizika. O título retomava diretamente o problema: ‘On the Einstein Podolsky Rosen paradox’. O autor era John Stewart Bell.
O Arquivo reconstruiu apenas o que os documentos permitiam. Bell trabalhava como físico de partículas e estava temporariamente na Universidade de Wisconsin; o artigo registrava sua ligação com o CERN e o SLAC. Nenhuma conversa privada foi encenada. Lia encontrou a introdução, as equações e a conclusão impressa.
EPR sugerira que variáveis adicionais poderiam completar a mecânica quântica preservando causalidade e localidade. Bell formulou essa esperança matematicamente e mostrou que ela não podia reproduzir todas as previsões estatísticas quânticas. A dificuldade essencial surgia quando o resultado aqui era exigido como independente da operação distante.
Tomás afastou uma lenda. Bell não provou que qualquer teoria mais profunda é impossível. Em outro trabalho, ele criticou demonstrações anteriores que excluíam variáveis ocultas por hipóteses que considerava injustificadas. Seu teorema atingia completações com uma condição de localidade, não a curiosidade científica sobre descrições alternativas.
A diferença em relação ao debate de 1935 era operacional. Palavras como separação e causa seriam convertidas em funções de resultados e probabilidades. Dessas hipóteses sairia um limite numérico. A mecânica quântica faria uma previsão além dele, e laboratórios poderiam decidir com contagens.
O artigo original empregava uma desigualdade própria e correlações perfeitas. Em 1969, Clauser, Horne, Shimony e Holt desenvolveriam uma forma adequada a experimentos realizáveis. O capítulo usaria essa versão CHSH para mostrar a aritmética sem atribuí-la retroativamente ao texto de Bell de 1964.
Lia procurou um sino e encontrou quatro configurações de analisadores. Bell transformara uma disputa sobre realidade em restrição sobre quatro médias. O som não viria de uma opinião filosófica; viria quando um conjunto de dados atravessasse a fronteira permitida a modelos locais.