Em 1997, Dik Bouwmeester, Jian-Wei Pan, Klaus Mattle, Manfred Eibl, Harald Weinfurter e Anton Zeilinger publicaram uma realização experimental de teleportação com fótons. A cena do Arquivo seguia o artigo e não inventava conversas da equipe.
Um fóton carregava a polarização de entrada; dois outros formavam o par emaranhado. A interferência e a detecção conjunta dos fótons de entrada realizavam uma análise parcial de Bell, enquanto o terceiro fóton era examinado para verificar a polarização transferida.
O experimento dependia de coincidências entre múltiplos detectores, indistinguibilidade temporal e espectral e pós-seleção dos eventos bem-sucedidos. Não era uma cabine determinística. Demonstrava o princípio numa plataforma óptica com eficiência e taxa limitadas.
Lia comparou os resultados para entradas de polarização conhecidas. A fidelidade e as correlações excediam o que o arranjo clássico relevante explicaria sob as condições analisadas. A demonstração abriu caminho para redes, repetidores e computação distribuída, mas não teleportou matéria macroscópica.
Em paralelo, Boschi e colaboradores realizaram uma implementação óptica capaz, no esquema ideal descrito, de distinguir os quatro estados de Bell com recursos do experimento. As primeiras demonstrações tinham arquiteturas e critérios diferentes; a história não cabia numa única fotografia.
Tomás marcou a distância entre protocolo matemático e engenharia. Fontes probabilísticas, perdas, memória e interferência imperfeita afetam taxa e fidelidade. Escalar exige gerar emaranhamento sob demanda, armazená-lo e sincronizar múltiplos enlaces.
Três fótons produziram um resultado que o nome tornaria famoso. O feito real era mais interessante que a ficção: uma propriedade quântica desconhecida foi reconstruída remotamente usando correlação prévia e informação clássica, obedecendo a todos os limites já aprendidos.