O Arquivo colocou cartões com as hipóteses. Primeiro, causalidade local ou fatoração condicionada a λ. Segundo, independência estatística entre λ e as configurações escolhidas. Terceiro, um procedimento de amostragem em que os eventos usados nas correlações representassem honestamente as emissões relevantes.
O terceiro cartão pertencia sobretudo ao encontro entre teorema e laboratório. A desigualdade matemática supõe dados para os pares de configurações. Detectores ineficientes podem selecionar subconjuntos diferentes e abrir uma brecha experimental. O capítulo seguinte examinaria como experiências reais fecharam progressivamente essas brechas.
Lia retirou o cartão chamado ‘determinismo’. A versão simples de CHSH o usara, mas um modelo probabilístico local pode ser tratado diretamente pela fatoração; a mistura de estratégias extremas também preserva o limite. Não era honesto resumir o resultado como mera refutação de um universo determinista.
Ela retirou também ‘consciência’. Nada na derivação dependia de uma mente olhando detectores. Configurações, resultados e variáveis eram registros físicos. Bell não testava se observadores humanos criam realidade, e uma violação não conferia poderes causais à atenção.
Tomás manteve independência de medida à vista. Superdeterminismo permite correlações entre λ e escolhas; modelos retrocausais permitem que configurações influenciem descrições passadas. Essas rotas não são erros lógicos automáticos, mas abandonam ou reformulam uma premissa e precisam explicar por que os experimentos exibem as regularidades observadas.
A relatividade proibia sinalização superluminal observável, enquanto localidade de Bell exigia uma decomposição causal mais forte. Violações obrigavam revisar essa decomposição, não necessariamente a geometria do espaço-tempo ou a capacidade prática de enviar mensagens.
Com as cartas expostas, a conclusão ficou menor e mais forte: nenhuma teoria que satisfaça todas aquelas condições reproduz todas as correlações quânticas. Menor, porque não julgava toda metafísica. Mais forte, porque abrangia infinitos modelos sem precisar conhecer seus mecanismos internos.