Tomás preparou dois detectores, esquerdo e direito, e duas fontes sobrepostas. Havia duas amplitudes para uma coincidência: a primeira fonte contribuir ao detector esquerdo e a segunda ao direito, ou o contrário. Como os elétrons eram indistinguíveis, as alternativas precisavam ser combinadas.
Para férmions idênticos, a combinação vinha com sinal negativo. Em certas configurações, as amplitudes cancelavam-se e reduziam a chance de detectar os dois no mesmo estado. O efeito de troca aparecia mesmo sem acrescentar uma nova força ao Hamiltoniano.
Lia chamou o cancelamento de repulsão de Pauli. Tomás manteve a expressão entre aspas. Elétrons também se repelem eletricamente, mas exclusão e antissimetria são outra coisa. Elas alteram os estados permitidos e as correlações mesmo para férmions ideais sem interação coulombiana.
A densidade conjunta podia exibir um buraco de troca: encontrar um férmion com certo estado reduzia a probabilidade de outro idêntico ocupar o mesmo estado próximo. Isso não significava uma trajetória em que uma partícula sente um empurrão instantâneo da outra.
Para bósons, o sinal seria positivo e alternativas de troca poderiam reforçar-se. Agrupamento bosônico e antiagrupamento fermiônico são assinaturas estatísticas sob condições adequadas. Partículas distinguíveis somariam probabilidades quando as alternativas fossem efetivamente marcadas.
O sinal também dependia de trocar o estado completo. Partes espacial e de spin podiam ter simetrias opostas cujo produto total permanecia antissimétrico. Olhar apenas para o desenho espacial e esquecer o spin produziria aparentes exceções ao princípio.
Lia removeu os nomes das fontes. O padrão conjunto mudou não porque a matéria soubesse contar indivíduos, mas porque a amplitude respeitava uma simetria de permutação. A identidade absoluta das partículas tornava a troca uma operação física sem novo arranjo clássico correspondente.