As nuvens escureceram e linhas coloridas apareceram. Quando o átomo passava de um estado inicial para outro de menor energia, podia emitir um fóton com energia aproximadamente igual à diferença entre os níveis. Absorver a frequência correspondente podia promover a transição inversa.
Nem toda diferença de energia produzia uma linha igualmente intensa. Na aproximação de dipolo elétrico, a amplitude dependia do elemento de matriz ⟨f|r|i⟩. Simetria fazia muitos desses elementos desaparecerem e gerava regras como Δl=±1 e Δm=0,±1, conforme a polarização.
Tomás chamou-as de regras de seleção, não proibições eternas. Transições de dipolo magnético, quadrupolo elétrico ou processos de múltiplos fótons podiam conectar estados vedados no nível dominante, embora com taxas menores. O aparato e a ordem de aproximação importavam.
A frequência de uma linha não revelava a forma completa de um orbital, mas diferenças de energia e intensidades forneciam informação sobre estados e acoplamentos. Espectroscopia tornou-se uma cartografia indireta extremamente precisa, capaz de testar correções muito menores que a energia de ligação principal.
O modelo de Schrödinger não relativístico deixava certas degenerescências. Estrutura fina, interação com spin nuclear e deslocamento de Lamb dividiam níveis antes coincidentes. Em 1947, Lamb e Retherford mediram por micro-ondas uma separação que impulsionou a eletrodinâmica quântica moderna.
Bases atuais como a Atomic Spectra Database do NIST compilam criticamente níveis, comprimentos de onda e probabilidades de transição. Esses dados não substituem o modelo simples; mostram onde ele funciona e a precisão com que teorias posteriores precisam corrigi-lo.
Lia ouviu a série de Balmer como acordes entre endereços. A metáfora musical terminava porque o átomo não percorria o espaço entre orbitais como uma nota deslizando. A transição era uma evolução quântica do estado acoplado ao campo eletromagnético.