Uma tela real substituiu os balões. Em 2013, Aneta Stodolna e colaboradores relataram microscopia de fotoionização de átomos de hidrogênio em um campo elétrico estático. As imagens exibiram estruturas nodais previstas para estados de Stark excitados.
O experimento ionizava o átomo e usava campos eletrostáticos como uma lente que projetava a distribuição eletrônica em um detector macroscópico. Em coordenadas parabólicas, a separabilidade especial do hidrogênio permitia relacionar os nós da função microscópica a franjas na projeção do contínuo.
Lia observou anéis escuros e claros. Eles não eram uma câmera acompanhando um elétron ligado em sua volta. Cada evento detectava um elétron ionizado; muitos eventos, preparação e modelo de propagação construíam a distribuição que preservava a estrutura nodal.
A expressão ‘fotografia de um orbital’ era atraente, mas precisava de legenda. O estado estava sob campo elétrico, era excitado e foi mapeado por um processo de fotoionização. A imagem resultava de uma transformação controlada da amplitude, não de luz refletida por uma nuvem sólida.
Ainda assim, minimizar o resultado seria injusto. A correspondência entre nós microscópicos e padrões ampliados permitiu observar diretamente uma estrutura da função de onda prevista teoricamente. O experimento tornava uma propriedade abstrata acessível sem convertê-la em trajetória.
Tomás comparou a técnica com tomografia. Medidas podem reconstruir estados a partir de muitos conjuntos e bases; nenhuma exige que a função de onda seja uma fotografia clássica tomada numa única tentativa. Inferência experimental não é menos real por depender de calibração e teoria.
Lia guardou a imagem ao lado dos diagramas de isosuperfície. Uma vinha de cálculo visualizado; a outra, de eventos ampliados por um aparato específico. Ambas exigiam leitura crítica. O orbital não era invisível por ser fictício, mas porque sua relação com dados passava por regras quânticas.