O corredor transformou-se numa cavidade de micro-ondas de altíssima qualidade. Em 1996, Michel Brune, Serge Haroche e colaboradores criaram uma superposição mesoscópica de campos com fases classicamente distintas e observaram sua decoerência progressiva.
Átomos de Rydberg, muito excitados, atravessavam a cavidade um a um e interagiam com poucos fótons armazenados. O sistema ligava estados atômicos a dois estados do campo, fazendo o campo atuar como um medidor cujos ponteiros ocupavam regiões distintas do espaço de fases.
Um segundo átomo sondava a coerência depois de um atraso controlado. As correlações interferométricas diminuíam com o tempo, permitindo acompanhar a transição da superposição para estatísticas locais semelhantes a uma mistura. A decoerência não foi apenas inferida da ausência final de franjas; sua escala temporal foi medida.
O experimento confirmou uma previsão marcante: quanto mais separados os estados do medidor no espaço de fases, mais rapidamente o ambiente podia distingui-los e mais depressa a coerência decaía. Objetos macroscopicamente diferentes deixam muitas pistas e são extremamente frágeis como superposições observáveis.
Lia não chamou o campo de gato literal. ‘Estado-gato’ é uma metáfora técnica para superposições de alternativas mesoscopicamente distinguíveis. A cavidade continha radiação e átomos controlados, não vida suspensa nem uma decisão causada pelo olhar do pesquisador.
Também não se observou um colapso metafísico com câmera lenta. Mediram-se correlações e visibilidade compatíveis com um modelo de sistema aberto. O experimento testava a dinâmica da decoerência; interpretações diferentes podiam aceitar os mesmos dados e discordar sobre os ramos globais.
Tomás colocou o gráfico ao lado do gato imaginário de 1935. Entre ambos havia seis décadas de engenharia. A metáfora que denunciara um problema tornou-se uma família de estados fabricáveis, e o desaparecimento de sua interferência virou uma quantidade que laboratórios podiam cronometrar.