O ponteiro não estava sozinho. Moléculas de ar colidiam com ele, fótons térmicos escapavam de sua superfície e vibrações alcançavam a bancada. Se o ponteiro marcasse acima, o ambiente terminaria num estado |E+⟩; se marcasse abaixo, em |E−⟩.
O estado completo tornou-se a|+⟩|P+⟩|E+⟩+b|−⟩|P−⟩|E−⟩. A coerência entre os registros locais vinha multiplicada pelo sobrelapamento ⟨E−|E+⟩. À medida que incontáveis interações distinguiam os ramos, esse número se aproximava rapidamente de zero.
Decoerência era esse vazamento de fase para correlações com graus de liberdade não controlados. Não precisava de alguém lendo o ambiente. Bastava que as assinaturas fossem fisicamente distinguíveis e se dispersassem por moléculas, fótons e modos internos.
H. Dieter Zeh argumentou em 1970 que sistemas realistas, tratados sob dinâmica quântica universal, tornam-se emaranhados com o ambiente. Trabalhos posteriores transformaram a ideia num programa quantitativo capaz de calcular taxas e bases robustas para sistemas abertos.
Lia isolou melhor o aparelho. A decoerência desacelerou, mas não virou uma nova força. O mesmo tipo de interação que produz emaranhamento útil entre qubits também destrói coerência acessível quando o parceiro é um ambiente desconhecido. A fronteira depende de quais graus de liberdade podem ser controlados.
Perda de coerência não exigia necessariamente grande perda de energia. Um fóton podia adquirir informação sobre posição com recuo desprezível e ainda reduzir termos de interferência. Dissipação e decoerência frequentemente coexistem, porém medem efeitos diferentes.
Tomás desligou as bombas de vácuo. As fases sumiram do alcance local muito antes de o ponteiro esfriar. O ambiente funcionava como uma multidão de testemunhas físicas, não como juiz que anunciava um veredito metafísico. Para ver o que restava no sistema, Lia precisaria aprender a ignorar matematicamente essas testemunhas.