Sumário
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Salvando leitura…
Condicionar ao registro mudava as previsões seguintes

A regra depois do resultado

Colapso, ambiente e decoerência

O detector mostrou acima. Lia apagou o ramo inferior de suas previsões futuras e normalizou o restante. Para uma medição projetiva com projetor P+, a probabilidade era Tr(P+ρ); condicionado à ocorrência, o estado tornava-se P+ρP+ dividido por essa probabilidade.

Gerhart Lüders publicou em 1950 uma formulação da mudança de estado pelo processo de medição, refinando o tratamento de observáveis degeneradas. A regra que leva seu nome preserva, dentro do subespaço associado ao resultado, coerências que uma projeção mais destrutiva poderia eliminar sem necessidade.

Se o resultado não fosse conhecido — ou se Lia misturasse os arquivos acima e abaixo — a descrição não seletiva seria a soma Σi PiρPi. As probabilidades clássicas dos resultados permaneceriam, mas as coerências entre subespaços medidos desapareceriam naquele estado reduzido.

A atualização lembrava o condicionamento de probabilidades comuns: depois de receber informação, mudam-se as previsões. Porém o aparato quântico também perturba e correlaciona fisicamente o sistema. Dependendo da interpretação e do modelo, o ‘colapso’ pode ser postulado físico, atualização informacional, descrição efetiva ou aparência dentro de ramos.

Tomás impediu uma generalização apressada. Nem toda medição real é projetiva ou perfeitamente repetível. Medições fracas, detectores com perdas e resultados contínuos são descritos por POVMs e instrumentos quânticos mais gerais, que separam probabilidades de resultados das transformações condicionadas do estado.

Mesmo no caso ideal, a regra de Lüders começa com ‘dado que ocorreu o resultado i’. Ela responde como prever a próxima experiência após o registro. Sozinha, não deriva da equação unitária por que exatamente aquele i foi o fato vivido nesta execução.

Lia guardou a regra porque sua honestidade estava na condição. O laboratório dizia acima; a matemática atualizada dizia o que esperar depois. Confundir esse procedimento operacional extremamente bem testado com uma solução consensual da ontologia da medida seria exigir que um algoritmo declarasse o que existe.

Fontes desta página

  1. Gerhart Lüders (1950). Über die Zustandsänderung durch den Meßprozeß.Annalen der Physik, 443, 322–328. Formula a atualização de estado condicionada a uma medição e trata com cuidado observáveis degeneradas e compatibilidade.
  2. John von Neumann (1932). Mathematische Grundlagen der Quantenmechanik.Springer, Berlin; reedição digital Springer. Sistematiza a mecânica quântica em espaço de Hilbert e dedica um capítulo ao processo de medição e à mudança de estado.
  3. Max Born (1926). Quantenmechanik der Stoßvorgänge.Zeitschrift für Physik, 38, 803–827. Desenvolvimento extenso da teoria quântica de colisões e da interpretação estatística das amplitudes de transição.