O Arquivo montou um ponteiro quântico no estado |pronto⟩. Para calibrá-lo, Tomás definiu uma interação: |+z⟩|pronto⟩ evoluiria para |+z⟩|acima⟩, e |−z⟩|pronto⟩ para |−z⟩|abaixo⟩. Cada autoestado deixaria um registro correspondente.
Lia inseriu a|+z⟩+b|−z⟩. Pela linearidade, o resultado foi a|+z⟩|acima⟩+b|−z⟩|abaixo⟩. O ponteiro já não possuía um estado próprio independente do spin. Os dois sistemas estavam emaranhados, e cada posição do aparelho vinha correlacionada a um resultado.
Esse estágio é chamado pré-medição em muitos tratamentos. Ele explica como informação sobre a observável é transferida ao aparelho sem introduzir ainda um salto não unitário. Também mostra por que a medição não é uma leitura passiva de uma etiqueta: a interação constrói correlações físicas.
No livro de 1932, John von Neumann sistematizou a teoria em espaço de Hilbert e distinguiu a evolução contínua de uma mudança associada à medida. A reconstrução do Arquivo preservava essa arquitetura publicada, sem atribuir ao autor frases privadas sobre o que ele ‘realmente acreditava’.
Tomás anexou outro dispositivo para ler o primeiro. A cadeia virou spin, ponteiro, câmera, memória. A dinâmica unitária podia estender o emaranhamento indefinidamente: acima correlacionado a foto acima, abaixo a foto abaixo. Mover a fronteira entre sistema e aparelho não produzia sozinho um resultado único.
Nenhuma consciência era necessária para formar as correlações. Um fotodiodo desligado da internet e guardado numa sala vazia obedeceria às mesmas interações. A questão era como registros definidos aparecem numa descrição que permite superposições do conjunto, não quando um ser humano toma conhecimento deles.
Lia observou a máquina sem abrir a caixa. A equação contava uma história perfeitamente coerente de duas correlações, mas o laboratório entregava uma delas em cada execução. O primeiro passo estava resolvido — amplificar informação — e justamente por isso o passo restante ficava mais nítido.