Medir é escolher uma pergunta
Um histograma não é a verdade sobre o estado: é o resultado de uma pergunta específica, estimado a partir de uma amostra finita. Trocar a pergunta troca a resposta.
- Distinguir a probabilidade teórica da frequência medida
- Explicar por que mais repetições aproximam sem nunca acertar em cheio
- Reconhecer que a medição é uma escolha de base, não uma leitura
Nos dois módulos anteriores você comparou histogramas o tempo todo. Agora vamos olhar para o próprio histograma com desconfiança, porque ele engana de duas maneiras diferentes.
O primeiro engano: o histograma é uma amostra
A teoria diz que um em equilibrada tem cinquenta por cento de chance de cada resultado. Mas você nunca mede uma : você repete o muitas vezes e conta. Mil e vinte e quatro quase nunca dão quinhentos e doze de cada lado. Dão quatrocentos e noventa e sete, ou quinhentos e vinte e três.
Cada repetição do circuito é um shot. Aumentar o número de shots aproxima a frequência medida da probabilidade teórica, mas nunca a alcança exatamente — é o mesmo motivo pelo qual uma pesquisa eleitoral tem margem de erro. Em hardware real isso não é um detalhe: é o custo de cada estimativa.
No laboratório você pode alternar entre o valor teórico e a contagem medida. Vale a pena rodar duas vezes seguidas e reparar que os números mudam — o estado preparado é sempre o mesmo, o que varia é o sorteio da .
O segundo engano: o histograma responde a uma pergunta só
Medir não é abrir o qubit e ler o que tem lá dentro. Medir é fazer uma pergunta específica, e a pergunta padrão é sempre a mesma: “você está em ou em ?”. Um estado que não é nem um nem outro responde essa pergunta no sorteio.
A aleatoriedade não é uma propriedade do qubit. Ela aparece quando o estado não se alinha com a pergunta que você fez. Escolha a pergunta certa e a resposta vira certeza.
E o ? Depois de medir, o qubit passa a estar no estado que a medição indicou — a superposição anterior não sobrevive. É por isso que medir no meio de um circuito destrói a que viria depois: não sobra o que interferir.
