Conceito · 11 min

Medir é escolher uma pergunta

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Um histograma não é a verdade sobre o estado: é o resultado de uma pergunta específica, estimado a partir de uma amostra finita. Trocar a pergunta troca a resposta.

Ao final desta aula você vai conseguir
  • Distinguir a probabilidade teórica da frequência medida
  • Explicar por que mais repetições aproximam sem nunca acertar em cheio
  • Reconhecer que a medição é uma escolha de base, não uma leitura

Nos dois módulos anteriores você comparou histogramas o tempo todo. Agora vamos olhar para o próprio histograma com desconfiança, porque ele engana de duas maneiras diferentes.

O primeiro engano: o histograma é uma amostra

A teoria diz que um em equilibrada tem cinquenta por cento de chance de cada resultado. Mas você nunca mede uma : você repete o muitas vezes e conta. Mil e vinte e quatro quase nunca dão quinhentos e doze de cada lado. Dão quatrocentos e noventa e sete, ou quinhentos e vinte e três.

É por isso que existe a palavra shots

Cada repetição do circuito é um shot. Aumentar o número de shots aproxima a frequência medida da probabilidade teórica, mas nunca a alcança exatamente — é o mesmo motivo pelo qual uma pesquisa eleitoral tem margem de erro. Em hardware real isso não é um detalhe: é o custo de cada estimativa.

No laboratório você pode alternar entre o valor teórico e a contagem medida. Vale a pena rodar duas vezes seguidas e reparar que os números mudam — o estado preparado é sempre o mesmo, o que varia é o sorteio da .

O segundo engano: o histograma responde a uma pergunta só

Medir não é abrir o qubit e ler o que tem lá dentro. Medir é fazer uma pergunta específica, e a pergunta padrão é sempre a mesma: “você está em ou em ?”. Um estado que não é nem um nem outro responde essa pergunta no sorteio.

A imagem que costumam usar

Medir é ler o valor guardado. O qubit tem um estado, a medição revela esse estado, e pronto — como consultar uma variável.

Envelope azul-petróleo aberto, com o lacre rompido e uma ficha em branco saindo de dentro.
Onde ela quebra

Se fosse leitura, o mesmo estado daria sempre o mesmo grau de certeza. Rode o circuito ao lado: ele prepara |+⟩ e aplica uma Hadamard antes de medir. O resultado é cem por cento em |0⟩, sem nenhum sorteio. Mas medir |+⟩ diretamente dá metade e metade. O estado é o mesmo nos dois casos; o que mudou foi a pergunta. A Hadamard antes da medição troca a pergunta de “|0⟩ ou |1⟩?” para “|+⟩ ou |−⟩?”, e para essa pergunta o |+⟩ tem resposta certa.

q0|0⟩
|+⟩ medido na pergunta certa não tem aleatoriedade nenhuma
Ideia-chave

A aleatoriedade não é uma propriedade do qubit. Ela aparece quando o estado não se alinha com a pergunta que você fez. Escolha a pergunta certa e a resposta vira certeza.

E o ? Depois de medir, o qubit passa a estar no estado que a medição indicou — a superposição anterior não sobrevive. É por isso que medir no meio de um circuito destrói a que viria depois: não sobra o que interferir.

Cheque sua intuição
1Você roda o mesmo circuito duas vezes com 1024 shots e obtém contagens diferentes. O que isso indica?
2Por que medir |+⟩ depois de uma Hadamard dá certeza, e medir |+⟩ direto dá sorteio?
3O que acontece com a interferência se você medir no meio do circuito?