Lia escreveu P₁₂−P₁−P₂. Se a teoria clássica de alternativas exclusivas bastasse, o resultado seria zero em toda a tela. O Arquivo desenhou uma oscilação positiva e negativa. Era o termo cruzado, 2Re(ψ₁*ψ₂), variando com a fase relativa.
Nos máximos, o termo era positivo e reforçava as probabilidades isoladas. Nos mínimos, negativo e cancelava parte ou toda a soma. A probabilidade total nunca se tornava negativa porque o conjunto completo era um módulo quadrado, embora uma contribuição algébrica pudesse ter sinal negativo.
Tomás inseriu uma lâmina de potencial diante de uma das passagens. Ela alterou a fase sem bloquear o caminho. As franjas deslizaram lateralmente. Isso mostrava que fase não era um ornamento da função: uma mudança que quase não afetava as intensidades isoladas mudava onde a soma se reforçava.
Se a fase flutuasse aleatoriamente entre tentativas, máximos de uma realização cairiam sobre mínimos de outra. A média lavaria as franjas e tenderia a P₁+P₂. Perder coerência de fase pode ocorrer por instabilidade da fonte, vibração ou interação com o ambiente.
Lia distinguiu ausência de interferência de prova de trajetórias clássicas. Uma média sem franjas pode resultar de uma mistura incoerente de fases, resolução insuficiente ou marcação de caminho. É preciso caracterizar o aparato antes de concluir qual mecanismo removeu o termo cruzado.
A visibilidade V=(Imax−Imin)/(Imax+Imin) quantificava o contraste. V próximo de um indicava mínimos profundos sob intensidades equilibradas; V menor podia refletir amplitudes desiguais e perda de coerência. Um desenho bonito de franjas não substituía essa medida.
Tomás apagou P₁ e P₂ e deixou apenas o resíduo. Lia viu a parte da experiência que nenhuma fenda produzia sozinha. O termo cruzado não pertencia a um caminho; pertencia à relação entre caminhos. A física quântica começava justamente onde a contabilidade por caixas separadas parava de funcionar.