A parede da sala se curvou como um arco de observatório. Na origem, um filamento aquecido liberava elétrons. Uma diferença de potencial os acelerava e aberturas estreitas selecionavam um feixe. No centro ficava o cristal de níquel. Ao redor, um coletor móvel percorria o arco e registrava elétrons espalhados.
Controlar a voltagem era controlar a energia cinética do feixe, aproximadamente eV quando um elétron atravessava uma diferença de potencial V. Em regime não relativístico, isso fornecia p=√(2mₑeV) e, pela hipótese de de Broglie, λ=h/√(2mₑeV). Aumentar V deveria encurtar o comprimento de onda.
O coletor não aceitava indistintamente tudo o que chegava. O objetivo era medir elétrons que houvessem perdido pouca ou nenhuma energia, isolando o espalhamento aproximadamente elástico. Eventos inelásticos, nos quais o elétron excita o material ou perde energia de outras formas, compõem outro tipo de informação e poderiam borrar a comparação geométrica simples.
O cristal também girava ao redor do eixo do feixe. Assim, a equipe podia variar latitude e azimute da detecção em relação à rede cristalina. Um pico que acompanhasse as direções principais do cristal indicaria estrutura; um pico fixo no laboratório poderia denunciar geometria do aparelho ou campo parasita.
Lia moveu o coletor grau a grau. Cada posição exigia contagem, correção e repetição. Não havia uma tela moderna produzindo instantaneamente uma imagem colorida. A evidência nascia como séries de intensidades em função do ângulo, comparadas para muitas energias e orientações. Curvas polares transformavam números em feixes direcionais.
O vácuo impedia que o caminho fosse dominado por colisões com o ar. O controle da superfície tentava separar níquel, gás adsorvido e óxido. A estabilidade da tensão mantinha a energia do feixe. A abertura definia sua largura angular. Cada componente respondia por um trecho da cadeia lógica entre λ=h/p e um máximo no detector.
Tomás apagou os detalhes e deixou apenas três ícones: fonte, cristal, coletor. A simplicidade do esquema escondia o que tornava o resultado confiável. Um experimento não é só a ideia do que colocar no caminho; é a arte de impedir que dezenas de outras causas produzam a mesma marca.