O elétron permaneceu no terceiro degrau. Não emitia nada. Então o Arquivo registrou uma transição para o segundo estado e uma linha vermelha apareceu no espectro. A energia do fóton era exatamente a diferença entre os dois níveis.
A condição de frequência de Bohr pode ser escrita hν=Eᵢ−E_f para uma emissão em que o estado inicial tem energia maior. Na absorção, um fóton com energia correspondente pode levar o átomo a um estado superior. A frequência da radiação não era a frequência orbital clássica em geral; vinha da diferença entre energias estacionárias.
Lia tentou diminuir a câmera para ver o elétron percorrendo o espaço entre os degraus. Não havia quadro intermediário no modelo. O ‘salto quântico’ não era uma trajetória extremamente rápida escondida; era a mudança entre estados permitidos acompanhada por troca de energia.
A teoria moderna descreve transições por evolução de estados acoplados ao campo eletromagnético e fornece amplitudes e taxas. Mesmo nela, perguntar por uma órbita definida durante o salto pode impor uma propriedade que o formalismo não atribui. Detectores registram preparação, fóton emitido e estado final, não um filme clássico entre ambos.
Nem toda diferença de energia produz uma linha igualmente forte. Simetrias e regras de seleção podem tornar transições permitidas, suprimidas ou proibidas em determinadas aproximações. O modelo inicial de Bohr acertava posições de linhas melhor do que suas intensidades e estruturas finas.
Tomás fez Lia cobrir o desenho orbital e olhar apenas para um diagrama de níveis horizontais. Setas entre linhas substituíram caminhos no espaço. Essa linguagem sobreviveria: espectroscopia moderna continua usando diagramas de energia, embora os estados sejam calculados por uma mecânica muito mais completa.
No caderno, Lia escreveu que um espectro é uma tabela de diferenças. A luz emitida revela intervalos entre estados que o átomo pode ocupar. Conhecer as linhas era ouvir a arquitetura interna sem abrir o átomo.