O salão nuclear ganhou um elétron em órbita circular. A imagem planetária era irresistível: uma carga positiva no centro, cargas negativas girando ao redor. Lia reconheceu o símbolo desenhado em escolas, logotipos e placas de laboratório. Então o elétron começou a perder altitude.
Uma carga em movimento circular está acelerada porque sua direção muda continuamente. Pela eletrodinâmica clássica, uma carga acelerada irradia energia. Ao perder energia, o elétron deveria espiralar para o núcleo. A frequência orbital mudaria durante a queda, produzindo um espectro contínuo e uma catástrofe de estabilidade.
Essa conclusão pertence à tentativa de completar o átomo nuclear com dinâmica clássica. Rutherford não entregara sozinho todos os detalhes da caricatura planetária popular. Seu modelo explicava espalhamento; não fornecia uma teoria estável e espectroscópica dos elétrons.
A matéria real não colapsava. Átomos mantinham tamanhos e propriedades. Elementos emitiam conjuntos nítidos de linhas espectrais em vez do assobio contínuo esperado de órbitas encolhendo. A teoria precisava proibir o que a mecânica e o eletromagnetismo clássicos pareciam exigir.
Tomás mostrou a Lia duas escolhas ruins. Ignorar a radiação preservava a órbita, mas violava a eletrodinâmica usada em todo o resto. Aceitar a radiação destruía o átomo. Uma regra nova teria de entrar sem disfarçar a ruptura.
— Planck colocou degraus na energia. Einstein deixou a luz carregá-los. E se o próprio átomo só puder ocupar certos andares? — perguntou Tomás.
A pergunta era a porta de Bohr. Em 1913, ele combinou o núcleo de Rutherford, o quantum de Planck e os padrões espectrais numa teoria que assumia estados estacionários. Neles, o elétron não irradiava apesar da aceleração clássica. Era uma proibição postulada, não derivada das leis antigas.