Sumário
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Salvando leitura…
Muitos empurrões suaves não reproduziam a cauda de grandes ângulos

O projétil que voltou

Do núcleo de Rutherford aos saltos de Bohr

Capítulo 4 · O átomo proibido
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Tomás encheu uma caixa transparente com uma névoa de carga positiva e espalhou pequenos elétrons dentro dela. Era uma caricatura do modelo de Thomson: a carga positiva ocupava o volume atômico, e os elétrons garantiam a neutralidade total.

Lia lançou uma partícula alfa pelo modelo. A carga difusa exercia forças durante a passagem, mas nenhum ponto concentrava campo suficiente para inverter o projétil numa única aproximação. Uma sequência aleatória de pequenos desvios podia alargar o feixe, porém grandes ângulos eram raros demais no cálculo difuso para combinar com os dados.

Rutherford tratou o problema como espalhamento por uma carga central intensa. Quanto mais perto uma partícula alfa passasse do centro, maior seria a repulsão coulombiana e maior o desvio. Uma colisão quase frontal poderia mandá-la de volta. Passagens distantes sofreriam apenas pequenas mudanças.

A grandeza que descrevia essa proximidade inicial era o parâmetro de impacto: a distância perpendicular entre a trajetória que o projétil seguiria sem interação e o centro espalhador. Ele não era medido diretamente em cada átomo, mas a distribuição de muitos parâmetros de impacto se traduzia numa distribuição de ângulos.

A fórmula de Rutherford previa uma dependência angular muito forte, proporcional ao inverso da quarta potência de sen(θ/2), além de dependências com as cargas e a energia do projétil. Geiger e Marsden realizaram medições posteriores que testaram essa distribuição com maior alcance.

Lia percebeu que o evento extraordinário só ganhava significado por causa da multidão ordinária. Um único clarão para trás poderia ser ruído. Uma taxa que mudava com ângulo, espessura, material e energia conforme uma lei era estrutura atômica.

— A ciência não descobriu o núcleo porque alguém se surpreendeu — disse Tomás. — Descobriu porque uma hipótese centralizada transformou surpresa em curva e a curva encontrou as contagens.

Fontes desta página

  1. Ernest Rutherford (1911). The Scattering of α and β Particles by Matter and the Structure of the Atom.Philosophical Magazine, 21(125), 669–688. Deriva a distribuição angular do espalhamento por uma carga central concentrada e propõe o átomo nuclear.
  2. Hans Geiger e Ernest Marsden (1909). On a Diffuse Reflection of the α-Particles.Proceedings of the Royal Society A, 82, 495–500. Relata espalhamento de partículas alfa por grandes ângulos em lâminas metálicas finas.