Lia reuniu a cronologia: Bell forneceu o limite; Freedman e Clauser cruzaram-no com fótons; Aspect refinou fontes e configurações dinâmicas; Weihs impôs separação causal estrita; experimentos de 2015 fecharam simultaneamente as brechas centrais em plataformas distintas.
Os dados excluíam uma decomposição local das correlações sob independência das configurações e demais condições do teste. Não informavam, sozinhos, se a função de onda colapsava fisicamente, se todos os ramos persistiam, se partículas seguiam trajetórias bohmianas ou se estados expressavam relações.
Tomás distinguiu subdeterminação de indiferença. Interpretações precisam reproduzir os mesmos experimentos, manter coerência interna e dizer como surgem resultados. Algumas acrescentam ontologia ou dinâmica; outras reorganizam o significado do estado. Bell elimina opções locais simples, mas não torna todas as sobreviventes equivalentes.
A brecha de liberdade de escolha podia ser empurrada ao passado usando quasares ou estrelas para definir configurações, reduzindo a região causal disponível a uma causa comum recente. Nunca se exclui por experimento uma correlação conspiratória plantada no início do universo; avalia-se seu custo explicativo e suas consequências.
Violações também ganharam uso positivo. Se dispositivos espacialmente separados produzem correlações além de Bell sob condições adequadas, elas podem certificar aleatoriedade e segurança sem confiar completamente em seu funcionamento interno. O antigo paradoxo tornava-se recurso de informação.
Ainda assim, o Arquivo não usou tecnologia para encerrar a pergunta de EPR. A teoria previa corretamente os cliques; a natureza da função de onda e a ocorrência de resultados individuais permaneciam abertas a leituras diferentes. Experimento restringia a conversa, não a silenciava.
A noite terminou com quatro histogramas e nenhuma voz metafísica no detector. Lia abriu uma sala cheia de mapas sobrepostos: Copenhague, muitos mundos, ondas-piloto e outras leituras. O próximo capítulo compararia o que cada história acrescentava e, sobretudo, o que os dados não decidiam.