O Arquivo marcou 3 de abril de 1972, data da publicação do teste de Stuart Freedman e John Clauser. A bancada de Berkeley era reconstruída a partir do artigo e dos registros científicos; não havia falas inventadas nem pensamentos atribuídos aos pesquisadores.
O experimento mediu correlações de polarização linear em fótons emitidos por uma cascata atômica de cálcio. Uma generalização da desigualdade de Bell impunha restrições às correlações sob variáveis ocultas locais; a mecânica quântica previa valores incompatíveis com essas restrições.
Lia acompanhou motores, lentes e longas integrações. A violação não apareceu num par espetacular. Surgiu da diferença entre taxas de coincidência para orientações selecionadas dos polarizadores, acumuladas e corrigidas segundo um protocolo experimental.
Os dados concordaram com a previsão quântica e violaram a restrição local com alta precisão estatística para o desenho utilizado. Era evidência forte, não a transformação lógica de uma medição finita em certeza absoluta. Toda inferência experimental permanece condicionada ao modelo de ruído e às premissas auxiliares.
A eficiência dos detectores deixava muitos fótons invisíveis. Para relacionar a amostra detectada ao conjunto emitido, testes iniciais empregavam uma hipótese de amostragem justa: os pares registrados deveriam representar os não registrados de modo relevante. Um modelo local que explorasse detecção seletiva permanecia uma brecha lógica.
Tomás recusou a frase ‘Bell foi provado em 1972’. Bell já demonstrara o teorema matemático. Freedman e Clauser testaram uma desigualdade física e encontraram a violação prevista pela mecânica quântica sob as condições e hipóteses do aparato.
A primeira contagem cruzou a linha e abriu outra pergunta: quantas rotas um modelo local ainda encontraria pelas imperfeições? O resultado não perdeu valor por ter brechas; ele transformou a engenharia das brechas no programa experimental das décadas seguintes.