Sumário
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Salvando leitura…
A equação separava o preço da saída e a energia que sobrava

A conta de uma entrega inteira

O efeito fotoelétrico e o quantum que viaja inteiro

Capítulo 2 · A luz que arrancava elétrons
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A ponte da função trabalho reapareceu, agora como uma balança. No prato de entrada, Tomás colocou hν. No prato de saída, φ. O que restava movia uma pequena plataforma com a inscrição Kmáx. Lia reconheceu a conservação de energia sob um figurino novo.

A forma elementar da equação fotoelétrica é Kmáx=hν−φ. O lado esquerdo é a maior energia cinética observada entre os elétrons emitidos. No lado direito, hν é a energia do quantum incidente e φ representa o custo mínimo de remover um elétron da superfície.

A inclinação da reta Kmáx contra ν é h. Trocar o material altera φ e, portanto, desloca o ponto em que a reta cruza o eixo; idealmente não altera a inclinação. Essa era uma assinatura extraordinária: a mesma constante que salvara o espectro de uma fornalha deveria reaparecer numa placa metálica iluminada.

Lia escolheu uma frequência exatamente no limiar. A plataforma mal se moveu. Acima dele, cada aumento de frequência produziu aumento proporcional da energia máxima. A intensidade não aparecia na equação do teto energético; entrava principalmente na taxa de eventos.

O quadro simples escondia uma população. Elétrons ocupam estados diferentes no sólido, podem perder energia em colisões antes de alcançar a superfície e encontram potenciais de contato entre materiais do aparato. Uma experiência real produz uma distribuição de energias, não uma fila de partículas idênticas saindo à mesma velocidade. A reta é definida pelo limite superior cuidadosamente extraído.

A fotoemissão moderna usa justamente essa sensibilidade. Medindo energia e direção dos elétrons ejetados por fótons conhecidos, espectroscopias revelam estados eletrônicos e estruturas de bandas. A antiga pergunta ‘a luz consegue arrancar?’ tornou-se uma forma de mapear o interior quântico da matéria.

— Uma equação curta pode ter um laboratório inteiro escondido nela — disse Lia.

— E um laboratório inteiro pode ser necessário para descobrir o que cada símbolo realmente significa — respondeu Tomás.

Fontes desta página

  1. Albert Einstein (1905). Über einen die Erzeugung und Verwandlung des Lichtes betreffenden heuristischen Gesichtspunkt.Annalen der Physik, 322(6), 132–148. Propõe quanta de luz e obtém a lei do efeito fotoelétrico.
  2. Robert A. Millikan (1916). A Direct Photoelectric Determination of Planck's h.Physical Review, 7, 355–388. Mede a relação linear prevista por Einstein e determina h por efeito fotoelétrico.
  3. Philipp Lenard (1902). Ueber die lichtelektrische Wirkung.Annalen der Physik, 313, 149–198. Investigação experimental extensa da emissão de elétrons por luz, incluindo as dependências com intensidade e frequência.