Sumário
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Salvando leitura…
Reconstrução documental · Copenhague, 1935

Bohr trocou a moldura

Realidade, completude e uma provocação de 1935

A resposta apareceu em outubro de 1935 com exatamente o mesmo título interrogativo. A cena de Copenhague era outra reconstrução documental: o Arquivo exibiu o artigo de Niels Bohr, seus diagramas e sua defesa da complementaridade, sem inventar diálogos ou atribuir emoções privadas ao autor.

Bohr concordou que nenhuma força mecânica comum precisava alcançar a partícula distante. Ainda assim, considerou ambígua a expressão de EPR ‘sem perturbar’. Para ele, o arranjo escolhido em um lado influenciava as próprias condições que definiam quais tipos de previsão tinham significado físico para o fenômeno completo.

O aparelho de posição estabelecia uma referência espacial e permitia uma classe de inferências. O arranjo de momento exigia outras condições experimentais e permitia outra classe. Combinar os dois como atributos simultaneamente definidos ignoraria que os procedimentos eram mutuamente exclusivos.

Lia objetou que a caixa B continuava intocada. A resposta de Bohr não era que uma onda mecânica invisível viajara até ela. Era que ‘fenômeno’, em sua linguagem, incluía o sistema e as condições de observação necessárias para aplicar conceitos clássicos como posição e momento. Trocar o arranjo trocava o contexto descritivo.

Tomás evitou declarar vitória automática. A resposta preservava a completude da mecânica quântica dentro do alcance que Bohr atribuía ao formalismo, mas leitores posteriores discordaram sobre se ela enfrentava plenamente a separabilidade exigida por Einstein. O desacordo envolvia os próprios critérios usados para falar de realidade.

Complementaridade não dizia que instrumentos criam qualquer verdade desejada. Cada montagem tinha previsões quantitativas rigorosas e registros comunicáveis. Dizia que condições incompatíveis não podem ser reunidas numa única imagem clássica, embora sejam necessárias para esgotar o que pode ser dito sobre o sistema.

As duas cartas agora tinham o mesmo título e respostas opostas. EPR exigia uma descrição independente da escolha distante; Bohr recusava separar o significado das grandezas do contexto experimental total. A matemática continuava produzindo as mesmas correlações, e a disputa ainda não tinha um placar empírico novo.

Fontes desta página

  1. Niels Bohr (1935). Can Quantum-Mechanical Description of Physical Reality be Considered Complete?.Physical Review, 48, 696–702. Responde ao argumento EPR apontando ambiguidade no critério de ausência de perturbação e defende a completude da descrição quântica pela complementaridade.
  2. Albert Einstein, Boris Podolsky e Nathan Rosen (1935). Can Quantum-Mechanical Description of Physical Reality Be Considered Complete?.Physical Review, 47, 777–780. Formula o critério de realidade e usa correlações entre sistemas separados para argumentar que a função de onda não constitui uma descrição completa da realidade física.
  3. Erwin Schrödinger (1935). Die gegenwärtige Situation in der Quantenmechanik, partes I–III.Naturwissenschaften, 23, 807–812, 823–828 e 844–849. Ensaio publicado em três partes que discute emaranhamento, completude e o experimento mental do gato para expor a amplificação macroscópica.