Quando Lia mediu posição em A e obteve um valor, atribuiu a B um pacote condicionado de posição. Quando escolheu momento, atribuiu a B um estado condicionado de momento. O mesmo sistema distante podia receber funções de onda diferentes conforme o procedimento realizado no parceiro.
EPR considerava essa multiplicidade um indício de que uma função de onda não representava sozinha toda a realidade de B. Se nada físico acontecera lá, uma descrição completa daquele sistema não deveria depender de qual pergunta fora escolhida aqui. A conclusão dependia justamente da premissa de independência entre as realidades separadas.
Tomás escondeu o resultado de A. Sem esse dado, o observador em B continuou usando a mesma matriz densidade reduzida, qualquer que fosse a base escolhida no outro laboratório. Posições ou spins medidos apenas em B mantinham suas probabilidades. Nenhuma mudança do histograma revelava a escolha distante.
Depois que o resultado chegava por um canal comum, os dados de B podiam ser separados em subconjuntos correlacionados. A atualização condicional mudava previsões porque nova informação conjunta estava disponível. Isso era compatível com não sinalização: correlações surgiam na comparação, não como controle local do resultado remoto.
Lia distinguiu três perguntas que a palavra ‘colapso’ costuma misturar. A função de onda atualizada é apenas conhecimento condicionado? Representa uma mudança física real? Ou é relativa ao ramo e ao registro considerado? O formalismo operacional calcula os mesmos dados, enquanto interpretações respondem de maneiras diferentes.
Schrödinger estudaria sistematicamente como medidas em uma parte selecionam diferentes decomposições da mesma mistura na outra. Cada decomposição corresponde a um programa de medição e a seus resultados condicionais; sem conhecer o resultado, todas recompõem o mesmo operador estatístico local.
A caixa distante parecia trocar de descrição sem trocar de estatística observável. Esse contraste impediria conclusões apressadas: emaranhamento produz dependências condicionais extraordinárias, mas a mecânica quântica preserva a impossibilidade de escolher um sinal superluminal apenas manipulando uma parte.