Tomás começou pelo íon H₂⁺: dois prótons e um elétron. Duas amplitudes 1s, uma centrada em cada núcleo, podiam ser combinadas com sinais iguais ou opostos. A sobreposição impedia que fossem tratadas como funções ortogonais sem normalização adequada.
Na combinação de mesmo sinal, as amplitudes reforçavam-se na região internuclear. O orbital σg ligante não atribuía o elétron a um núcleo específico; espalhava o estado pela molécula e podia reduzir a energia em uma faixa de distâncias.
Na combinação de sinais opostos, aparecia um nó entre os núcleos. O orbital σu antiligante tinha maior variação espacial e outra distribuição de atração e energia cinética. Ocupá-lo contrariava parte da estabilização do orbital ligante.
Lia pintou uma metade azul e outra vermelha. As cores eram fase, não carga. Na combinação ligante, regiões voltadas uma para a outra tinham o mesmo sinal; na antiligante, sinais opostos cancelavam amplitude no plano médio.
A explicação ‘mais densidade entre núcleos atrai ambos’ era útil, porém incompleta. A energia de ligação depende da reorganização de todos os termos e do teorema virial no estado otimizado. Confinamento, interferência e atração não podem ser isolados numa única fotografia universal.
À separação infinita, combinações simétrica e antissimétrica tornavam-se degeneradas e podiam ser recombinadas em estados localizados. Perto da molécula, a interação separava suas energias. Ligante e antiligante eram estados do conjunto, não cordas independentes.
O elétron único ocupou σg e a curva ganhou um mínimo. Lia viu que uma ligação de um elétron já era possível. A contabilidade simples de pares de Lewis era poderosa para muitas moléculas, mas a mecânica quântica permitia outras ocupações e ordens fracionárias.